Pensando esta noite: Ontem, depois de quase dois anos longe do divã, voltei a deitar olhando pro teto. Ela perguntou: E ai? Conte-me. E enquanto pensava o que e como, fiquei me perguntando qual a importância de uma psicanalista na sua vida, sua vida, sua e não dela. Será que posso encontrar uma solução pros meus problemas? Será que ela não passa de uma cartomante de luxo equipada com formação acadêmica mestrado-doutorado, duas línguas fluentes, bagagem cultural das viagens piegas pela Europa, pratos degustados, casamentos colapsados pelo desgaste inexorável do tempo em convívio, e acaba assim, como qualquer mortal que com o passar do tempo acaba mesmo entendendo seus semelhantes? Porque não sou exatamente o tipo do cara que guarda muito segredo. Costumo fazer uma faxina sempre que dá, gosto de conversar com mãe, pai, amigos sobre minhas questões internas, até como forma de dreno. Então, penso, será mesmo que preciso gastar esta grana pra ficar deitado contando as coisas que poderia contar num bar, em casa, na praia, detalhe, de graça? Devo realmente levar em consideração as coisas que minha analista diz simplesmente por ela ser quem é? Não estou sujeito a uma análise susceptível ao que ela acredita e construiu pra si? Que a transferência paciente - profissional esteja maculada pelas suas idiossincrasias, seus traumas, carência? Bom, só me resta tentar, vou continuar indo nas sessões de teto e olhar perdido nas lembranças, afinal, falar deixa a gente mais leve.
sexta-feira, 18 de julho de 2008
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Escrever - Parte 2
A pessoa que escreve entra numa egotrip sem precedentes. Ela no fundo se acha do caralho por saber como e onde colocar as palavras certas na orquestração de um raciocínio. Ela tem que dizer algo para os simples mortais que vivem sem sentir, ou pelo menos sem maneiras de transmitir estes sentimentos. Sou um enviado! Pensa o escritor no alto do seu castelo de cimento e ego prenssado. A prova disso é que quando postamos um texto no blog, o grande lance, o tesão da coisa é esperar pelos comments ou pelo número de acessos no dia. De onde vem esta necessidade de passar pela aprovação dos outros? Claro, sem os outros, que valor teria escrever para o nada? O grande lance é biscoitar o consciente alheio com as palavras certas e aí, aos poucos, montar seu exército de seguidores. A maneira que encontrei de buscar isso foi, levando em consideração os arquétipos, escrever da mesma forma que converso com uma pessoa que tenho muito intimidade. Com ela, você já furou todos os bloqueios, recalques, máscaras, e a conversa ventila por onde quiser, o que gera grande prazer. Com a literatura dá pra fazer o mesmo. Se você escreve como se estivesse contando a história para a pessoa com quem tem abertura total, o texto sai redondo, sem os rococós linguísticos, e acaba atingindo a todos.
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João Pavese
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terça-feira, 15 de julho de 2008
Fragmentos na Relva
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João Pavese
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13:26
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