sexta-feira, 18 de julho de 2008

Volta ao Divã

Pensando esta noite: Ontem, depois de quase dois anos longe do divã, voltei a deitar olhando pro teto. Ela perguntou: E ai? Conte-me. E enquanto pensava o que e como, fiquei me perguntando qual a importância de uma psicanalista na sua vida, sua vida, sua e não dela. Será que posso encontrar uma solução pros meus problemas? Será que ela não passa de uma cartomante de luxo equipada com formação acadêmica mestrado-doutorado, duas línguas fluentes, bagagem cultural das viagens piegas pela Europa, pratos degustados, casamentos colapsados pelo desgaste inexorável do tempo em convívio, e acaba assim, como qualquer mortal que com o passar do tempo acaba mesmo entendendo seus semelhantes? Porque não sou exatamente o tipo do cara que guarda muito segredo. Costumo fazer uma faxina sempre que dá, gosto de conversar com mãe, pai, amigos sobre minhas questões internas, até como forma de dreno. Então, penso, será mesmo que preciso gastar esta grana pra ficar deitado contando as coisas que poderia contar num bar, em casa, na praia, detalhe, de graça? Devo realmente levar em consideração as coisas que minha analista diz simplesmente por ela ser quem é? Não estou sujeito a uma análise susceptível ao que ela acredita e construiu pra si? Que a transferência paciente - profissional esteja maculada pelas suas idiossincrasias, seus traumas, carência? Bom, só me resta tentar, vou continuar indo nas sessões de teto e olhar perdido nas lembranças, afinal, falar deixa a gente mais leve.

1 comentário:

ANA MAROTTI disse...

Ainda não vivi esta experiência de olhar pro teto, mas imagino que no começo a gente só deva ver desenhos estranhos. Feitos de grafite - esfumaçados. Marcas de mofo, infiltrações. Depois passamos a admitir que é preciso subir até lá, lixar e passar uma mão de tinta de cor clara. Pra acabar com a insônia.