segunda-feira, 16 de junho de 2008

Por um beijo na boca








Ela decidiu não arriscar mais. Depois que terminou o último namoro sério, entrou numa maré de azar braba. Só conheceu bárbaros. Nenhum deles respeitou o seu pulo de cabeça na relação, todos, de uma maneira ou outra, pisaram na bola. 

Um deles passou a não atender o celular, e quando, sem querer atendia, pedia pra ligar dalí a 10. Chamava chamava até dar caixa. O outro disse que ainda gostava da Ex e que estava confuso,. E por aí vai. Só ferroada das braba. Aquilo fez tão mal, mas tão mal a ela, que resolveu se fechar por um tempo e não acreditar em homem nenhum deste mundo.

Passados seis meses focada no trabalho, arrumando o que fazer pra não pensar num cara, o mundo que vinha lentamente ruindo, finalmente veio abaixo. Era um 11 de junho e por mais que ela fosse metida a intelectual descolada “li Sartre escuto Stan Getz”, saber que dia seguinte casais comemorariam o namorados, abateu a menina. Seis meses sozinha e a tática do endurecimento com os homens não funcionava. Pelo contrário, a maneira de falar afetada pelos traumas e carência a distanciava ainda mais deles.

Pois bem. Fato é que Lúcia percebeu que não tinha muito como fugir do inevitável: apertar o play, ou como dizem, a tecla foda-se e aprender a jogar. Vestiu sua calça de cavalo curto, cabresto de virilha, pintou os olhos, burifou perfume na calcinha, e foi, noite do dia 11 pro 12, atrás de um possível bárbaro, na esperança de encontrar um que não fosse. Tudo por um beijo na boca.