Por mas que tentasse se esconder numa capa de chuva prata, nos óculos de armaduras grossas, nas fivelas mal posicionadas no cabelo ondulado, ela não passava, não mesmo, desapercebido.
Unhas bem tratadas sem esmalte, sorriso no limite da graça, nunca excessos, os homens achavam, sem procurar muito, seus vacilos de sensualidade, ainda que na maneira de suas mãos escolherem maçãs no supermercado. Homens loucos, afrouxando gravatas.
Enquanto as outras lutavam por olhares e cantadas numa calça jeans enfiada, decote safado, ela, sem mostrar nada, dans on ile, sofria.
Por mais que não quisesse, os homens sempre olhavam ela como o prato do dia.

