sábado, 6 de outubro de 2007

Hoje tive vontade de mandar o mundo parar de rodar pra eu descer (relato de um mulher na TPM)


Eu tô mal. Bom, na verdade três minutos atrás eu tava mal, eu não sei como é a dor dos outros e o peso que eles carregam, mas a minha é pesada demais pra mim as vezes. É diferente de angústia que faz parte da condição humana e que te cobra posições, é um sentimento de perda, de morte, de destruição que é tão absoluto que me deixa apática como se alguma coisa dentro de mim tivesse necrosado. Nessas horas eu penso se não vale a pena tomar o remédio que eu descobri há pouco tempo e que dá uma contida nisso, mas só de externar, colocar em palavras, o inominável diminiu pq ele já está nomeado e se ele está nomeado, ele fica sob controle. Não sei se é sob controle, mas pelo menos dá pra controlar a dor, não é mas absoluto nem abissal e que me engole, agora eu tô engolindo ele, um monstro do meu tamanho. Quando eu não toco ele fica grande, e quando eu me aproximo ele vai diminuindo. Quando acaba sempre me dá um certo tesão, eu acho que eu sou...não sei se as outras pessoas tem isso...sinto...acaba a dor e vem um tesão...me masturbando...fantasias com o obstetra me comendo, no caminho da sala de parto parei de gemer pra fazer um comentário para o médico que tirou a máscara, um anjo, não era de verdade, quero esse, um cara lindo, uma das faces do meu anjo. Hummm chocolate....Não. Quero pau. Gordo, grosso, atrás do pau um homem com tesão, mãos rápidas, beijo nas partes moles. Minha analista dizia que eu sexualizava a dor, bom, sorte a minha, sempre tive muita libido, a rainha da masturbação, o prazer sexual é minha morfina, as vezes não precisa ninguém, pq eu me completo com as minhas fantasias. Nunca precisei de droga, fantasia sempre foi a minha morfina. Me deu sono.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Não vou forçar a barra senão espanta


Ele foi pro Rio a trabalho. Que saco! É a segunda vez em menos de um mês. E quando está em São Paulo, sempre na correria, temos pouquíssimo tempo um pro outro. Por mim eu queria ver sempre, beijar, mas o cara é fooocado amigas, completamente focado na dele, e isto me dá um puta tesão, subo pelas paredes pelo cara. Por isso que mesmo sem ele ter tempo e me dar uns canos, eu acabo perdoando. Só que os canos vem piorando. Desde agosto ele não me beija mais como no começo. Antes, quando eu abria a porta do apê ele aparecia com flores, bombons meio amargo da Copenhagen, e me dava uns beijos inacreditáveis, era cama mesa e banho direto. Mas esta história do Rio...Pior é que ele não atende a porra do celu o dia todo, o filha da puta deve tá me binando, deve tá tomando chope no Leblon vendo aquelas carioquinhas no calçadão, mas aí quando eu desencano ele me liga lápras duas da manhã todo carinhoso, pergunta com que roupa eu tô, meio safado, deve ter tomado uns whiskys no piano bar do hotel, diz que tá com saudade, que lembra da minha boca, e aí eu me derreto toda, toda, acaba rolando uns dedinhos lá, básico, em sua homenagem. Bom, depois de uma semana no Rio finalmente ele chegaria na quinta-feira, me produzi toda. Manicure, unhas tomate, depilação....Aaaiii essa dor, como mulher é um bicho masoquista, puxa pêlo dali arrancar pêlo daqui, bye bye sobrancelha...Tudo pelo olhar guloso dele. Ele me ligou. Umas duas da tarde, lá do Galeão. Disse que pegava um táxi, que eu não precisava pegar em Congonhas. Bom, mas eu quero te pegar, eu vou. Não precisa, fica tranquila que eu te ligo. Tudo bem, não vou forçar a barra senão espanta. 3, 4, 5 da tarde e nada dele ligar. Que aflição. Fui na Parmalat e pedi duas bolas de amendoado. Comprei umas fivelas, um sapato na promoção. Nada de ligar. Chamei a Paula prum café na Duca. Não podia. Cadê o cara...Canalha.
Lá pras 8 e meia da noite é que ele me liga. Pra variar trabalho, gravata, cinto...humm, aquela bundinha na calça social, as secretárias devem pagar um pau...AAAHHHHH ele é meu vadias, não quero ninguém olhando. Disse que foi direto do Aeroporto pra uma reunião e que saiu de lá agora, tá super cansado...Este cara tá me dando um pé...E eu não tô sabendo me valorizar...Foda-se, não vou mais procurar...Foda-se ele e seu egoísmo de merda, não preciso disso, você é forte Melina, forte, só tem canalha, homem não presta, preciso aprender a me valorizar, nunca mais vou procurar, agora se os homens quiserem eles que venham a mim, pilates, yoga, praia, tô super bem, este iogurte de ameixa regulou super, como disse minha melhor amiga: mulher legal só fica sozinha se quiser. Vou apagar o número dele do cel. Isto, chega, vou apagar...(toca o celular na hora). Oi! Tá em casa? Saudade? Eu também... Tá bom, vou me arrumar e vou, levo um vinho? Ahhhhhhhhhh, você é um amor....Não não...Tô super afim de te ver...Não...Nada cansada...Chego aí em 10 min...beijo.

O que ele pensa enquanto espera ela chegar:

Puta merda...Ela tá na minha total...Posso sacanear quanto quiser que ela vai tá na bota. Ela tem uma bucetinha gostosa,
comi aquela no Rio e foi uma merda acordar do lado. Puta ressaca moral, só bêbado pra comer uma rampeira daquela, ainda bem que meti uma camisinha, por ela ia no Al Dente. Vou segurar a patroa, ela me faz bem...(prepara um Whisky).

Campainha ( ding dong)

Ele coloca o Whisky de lado, no bar, se olha no espelho vendo se não tem pêlo nem catota no nariz, arruma as sobrancelhas (vaidoso que só) e coloca a camisa por dentro da calça jeans mostrando o volume do pau. Ele pensa: ( vou foder...Comi aquela no Rio ontem e já tô fodendo outra...Sou foda, sou gostoso, sou o cara, tenho 37 anos e duas milhas no banco, levo qualquer uma no sushi, banco totas até molhar e depois blablabla aahhhhh caio de boca...)

Ele abre a porta


-Ooooooi!!!! Nooooossa! Como vc tá gostoso, o Rio te fez bem.

-É?

- Claro que é. Que ciúmes que eu tenho de pensar naquelas cariocas que ficaram vendo esta sua boca carnuda.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Ontem ela chegou por volta das 02H30 a.m


Ontem ela chegou por volta das 02h30 a.m. Chegou pra dormir. E foi a segunda vez que ela deita e apaga. Acho muito estranho. Nos dias que ela chega cedo, demora a dormir. Bebe seu Bloodymary, degusta de um aperitive, vê uma tevê, toma um banho de banheira, nunca deita direto. Tudo bem que eram duas, quase três da manhã e, logo cedo, 07h30 a.m seu Thompson rádio relógio vai despertá-la, sempre na NRJ, que toca as últimas baladas de Paris. E saber que ela chegou 02h30 a.m me incomodou profundamente. Se já não conseguia dormir, se já respirava fundo pra não perder o pulso, se já administrava a frustração caucado nos traumas com as meninas do passado, com ela do lado dormindo profundamente não podia segurar a tensão, o medo, perspectiva de que este sono tranqüilo, esta respiração profunda, o deitar e apagar, fosse conseqüência direta de um foder, de um trepar, de um clitóris hipertrofiado no gozar gostoso. E se realmente ela tinha dado pra outro, não poderia dormir ao seu lado como venho fazendo nos últimos 15 dias, não não não. Uma coisa é se dar pro vibrador. Outra é certificar-me de que realmente ela deu pra outro.
Passei mais alguns minutos na cama numa posição totalmente incômoda, simulando a continuidade do meu sono quebrado pela sua chegada. Não suportei, levantei no escuro, vi o seu vulto, levantei com pulso que enfermeira pede pra tirar a pressão de novo, não acreditando naqueles 14 por 9. A primeira coisa que me passou pela cabeça, acreditem vocês, foi ir até o banheiro. Acontece que sempre que ela chega em casa, deixa a roupa do dia jogada no chão, um bolo de calça, blusa, sutiã e calcinha. E justamente pela calcinha que eu vinha medindo os seus dias. Cada vez que ela chegava do trabalho eu dava uma boa fungada naquela calcinha fio dental, sempre de uma cor diferente, pra sentir e medir seu PH. E se nos outros dias a secreção vinha normal, a leve crosta caramelada na altura certa da costura da calcinha, desta vez acertei em cheio, a calcinha, mais chic do que a dos dias anteriores, bordô, vinha sem caramelo, mas ensopada de porra na mesma altura da costura. Como se dez minutos atrás alguém tivesse esporrado tudo lá dentro e antes mesmo dela levantar. colocou a calcinha pra ir embora, levando contigo toda a porra. E se deitada a porra se acalma dentro, quando ela levanta e pega a scooter de volta pra casa, tremelicando pelo asfalto com o o motor da motoca, podes crer que a porra vai descer, foi como vi, calcinha empapada, filetes branco de esperma. Fiquei mal. Me olhava no espelho querendo fugir. A minha vontade naquele instante era entrar naquele quarto sem roupa, tirá-la debaixo daquele edredon e fodê-la a força, incrementando o frozen iogurte de porra, dois tipos de queijo, deixá-la dolorida, fazê-la chorar de dor, segurá-la pelo cabelo, comer o cu mordendo todo seu pescoço. Mas precisava estar bem fora de controle e um tanto apaixonado pra fazer tal loucura.
Saí do banheiro. A casa escura, só o barulho da ventilação que circula o ar entre um cômodo e outro. O barulho desta ventoinha me punha louco. Um ruído sinistro, o ar quente daqui de dentro, a geladeira silenciosa, e a ela dormindo profundamente, dormindo ainda com a porra de outro escorrendo na calça de flanela do pijama.