Domingo de feriado, sol de abril, acordei cedo e desci pra praia, sunga e camiseta florida. Por alguma razão me sentia bem. Talvez pela noite bem dormida, o cheiro do mar, da mata atlântica. Ou pelo simples fato dos problemas estarem longe, muy lejos.
Gosto do jeito que o vento chega nas coisas. Nas árvores, nos coqueiros, na minha cara. Gosto do sol quente nas costas, do contato da areia entre os dedos do pé, do horizonte com as ilhas exigindo reflexão, da sede das ondas por terra firme, que estouram, estouram, como se quisessem caminar, caminando por la playa. Gosto dos livros que leio na praia, do tempo que tenho pra ler, da forma como absorvo as coisas e transformo, da companhia das páginas. A professora de Inglês, moça fantástica, continua me ensinando a trabalhar com a língua. A lição de casa, que trouxe comigo pro mar, agora leio nas pedras, no costão, 23° 26' 15" S longitude 45° 03' 45" W, onde posso ver quem anda, quem beija e toca, se doura. Abro a página:
Making love with you
Is like drinking sea water
The more I drink
The thirstier I become
Until nothing can slake my thirst
But to drink the entire sea
Vou dar um mergulho, dar minhas braçadas, voltar pra casa, comer um mamão papaia.

