
CONCURSO LITERÁRIO - NOITE DE CIúMES
Mande para nós uma crônica ou conto com até três páginas. O tema é
a questão universal vivida pelas casais de todo o mundo: Noite de Ciúmes.
O melhor texto será publicado aqui no Blog e o autor ganhará um (01) DVD original do filme
Blade Runner.
Resultado: dia 01 de janeiro de 2008
O vencedor será avisado por email e receberá o prêmio em casa.
Mande seu texto para jpavese@gmail.com
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
NOITE DE CIUMES
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João Pavese
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Shark attack
Agora vou ter que corre atrás pra sobreviver
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João Pavese
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quinta-feira, 27 de setembro de 2007
EL DESEO

Milão, Inverno, 9 p.m.
Nuvens nas cores da cidade, lambretas passam, casacos pendurados, calefação.
Valentina e Juan conversam no bar. Reflexos dentro e fora se confundem no vidro onde os dois estão sentados.
Valentina se olha por entre os reflexos, a luz das velas permite que ela se veja entre faróis, garçons, cigarros, asfalto molhado. Por mais descolada que seja, ela tem aquela sensação de brasileiro, do glamour de se estar na Europa.
Depois de tomar um negroni cada, comer brusquetas e salada de beringela, os dois começam a se estranhar. Isto porque nunca se entenderam tão bem como naquele dia. Já eram amigos, mas naquela noite, em especial, El Deseo passou a bailar com os dois e romper as barreiras do simplesmente amigos. O acordo tácito fora pras picas. Valentina vinha de um período de estiagem braba, seu último namorado, que ficou no Brasil, ela não via há oito meses. Claro, lembrava dele, mas os telefonemas eram cada vez mais raros, e pela voz, ele já estava noutras. Pra compensar, Valentina foi ao sex shop e comprou um Rabbit com três variações de vibração. Não sossegou.
Já Juan tinha lá seus casos, nenhum duradouro. One Night Stand. Gozou vira pizza. Se alimentar dessa forma não mata a fome da carência, muito pelo contrário, dia seguinte vinha uma vontade aguda de abraçar e pegar um cinema.
Pois bem, os dois em condições adversas agora no bar mastigavam as barreiras impostas nos dois anos de amizade. Quando um se distraía, o outro aproveitava pra olhar e desejar. Mas os negronis na cabeça faziam perder o timing do disfarce, e um começou a ganhar as olhadelas do outro. Até que ficou proposital. Vieram os sorrisos. Pediram a conta.
Caminhando pela rua, um frio de rachar, Juan se adiantou em passos largos, deixando Valentina pra trás. Ela reclamou:
-Juan? Grande cavalheiro o senhor! Não tá vendo que eu ando mais devagar, dá pra me esperar?
-Tem razão, só quero chegar logo...
- Vai ter que esperar, anda aqui comigo e do lado da rua, os cavalheiros devem defender as damas...
-Sim Senhora.
A casa que Valentina mora em Milão tem quase 1000m2. Quando Juan entra não acredita no que vê. Cinco siameses, uma fonte de pedra sabão e a piscina, que atravessa o jardim invade a sala quase até encostar no piano de cauda. Valentina tira as botas:
- Juan, moro aqui com um velho que me aluga uma parte da casa. A múmia é ranzinza e não deixa trazer homem aqui, ele proibiu. Corre e se esconde no banheiro do meu quarto.
Juan caminha de tênis. No chão de mármore o solado de borracha assobia.
No quarto uma cama de viúvo, branca com detalhes dourados. O chão de madeira velha, range a cada passo. Um aquecedor à gás mancha o papel de parede com o calor. uma TV 20 polegadas passa RAI, novela. No banheiro da suíte sabonetes de gansos, conchas, toalhas bordadas. O espelho de cristal, 2X2 metros, quebrado numa das pontas.
Juan espera ansioso por Valentina. Não sabe se o velho encasquetou, se o viu, se ela está a negociar com ele. Juan, ainda no banheiro, fareja duas calçolas penduradas no boxe. Observa o forro da calcinha, onde o rosbife de valentina encosta, e no meio do cheiro de sabão consegue detectar, com seu faro de coiote, alguma essência salmon, eau du salmon.
Valentina chega de sopetão e o pega no banheiro. Ele de costas, com a calçola na mão, se vira pra falar com ela, aproveita pra deixar a calcinha cair no chão, dentro da banheira. Ela não percebe.
Valentina diz que a barra está limpa, o velho já foi dormir, sono pesado, se quiser poderiam abrir um vinho. Valentina tira o casaco, um sobretudo de pele artificial. O traje é de patricinha da Hípica Paulista atrás de um Klabin. A calça jeans, ainda que não perceba, molda os grandes lábios com perfeição. A bunda perfeitamente definida pelas costuras. Ela sabe, foram anos se olhando no espelho, torcendo o quadril ou perguntando pras amigas qual daquelas calças fica mais enfiadinha com a possibilidade de ativar o córtex dos machos. E ativou. Juan, macho que é, negroni na cabeça, sentiu uma fisgada no saco, no testículo esquerdo, como se o cérebro mandasse a mensagem: Hora de produzir porra!!! Vamos lá putada, ao trabalho, duas colheres de maizena, duas de açucar mascavo, creme de leite!!
Valentina deita na cama e desabotoa a calça que lhe marca a barriga. Finge ver a Rai, aquela programação mal feita que só italiano tem a manha. Juan não tem onde sentar, ou senta no chão, ou ao lado dela, na cama. Vence a segunda opção, ainda mais com aquela rabeta empinada. Valentina nota a escolha de Juan e puxa assunto:
- E aí, você não vai pro seu Hotel? Tá tarde já...
- Não conheço direito Milão, fica longe daqui, né?
- Fica, esta hora é difícil achar um ônibus, acho melhor você dormir aqui.
- Pode ser, vou pensar...
- Vou colocar meu pijama...
Valentina se levanta e vai até o banheiro. O tesão de Juan é tamanho que o simples levantar de Valentina é suficiente
pra que ele sinta no ar um cheiro apetitoso de fêmea. Uma mistura de cheiro de alcool com perfume de freeshop, atum com tangerina.
Ele desliga a TV e fecha os olhos, abre e olha pro teto, fecha e vê uma bunda, a de Valentina. Se concentra nos barulhos que ela faz lá de dentro. Primeiro uma escovação de dente, barulho de sabonete líquido na mão e no rosto, um silêncio de 5 segundos, xixi, isso, assobio de xixi, a descarga, e a ducha higiênica em ação, lavando as jóias da família.
A porta se abre.
Juan observa. O pijama tem estampas com o mapa da Europa. A Grécia está na bunda, a Rússia nos peitos. Dois países que Juan tem muito interesse em conhecer...Aquela noite.
Valentina apaga as luzes e deixa um pequeno abajur no chão, luz 30 watts. Entra nas cobertas, posição fetal. Juan, sem saber por onde começar, deita de bruços. Valentina espera trinta segundos, alguma reação de Juan e, temendo que ele durma, puxa assunto:
- Juan...
-Oi.
- Sei lá, eu tava pensando... Qu você acha dessa história de amigos que acaba rolando uma coisa, amizade colorida?
- Acho que se tiver que acontecer, tem que rolar...
Valentina respira fundo e volta a posição fetal.
Juan, ainda que um pouco ingênuo percebe a deixa de Valentina. Amizade colorida...Hummm
Então ele se vira, na mesma posição que ela, mas sem encostar. A Grécia na bunda agora maior. A ponta da Rússia, a luz amarela. Juan tem medo, medo de quebrar a amizade, de romper as barreiras, mas seu coração dispara, ele não tem como voltar atrás, seria muito ruim estancar a vontade. Juan estaciona a mão na cintura de Valentina.
Ainda que Valentina contiunue na mesma posição, Juan sente a respiração dela acelerar. Carros passam na rua de pedra, ele deixa de escutar, mas logo volta o silêncio do quarto, a respiração dela. Só pra constatar ele sobe a mão na altura da das costelas de Valentina, e aí comprova o movimento. Valentina se vira, olhos semiserrados, boca aberta e seca, a jugular saltada. Juan assusta, tempos que não via uma fêmea tão no ponto sem que ele ao menos a tenha tocado. E a cada toque, por cima do pijama, ela solta um suspiro, misto de susto e tesão, sensibilidade total ao toque, e vem o beijo.
Valentina vem por cima, a cama range junto com o chão, a novela nba Rai, o bafo de negroni, e na cabeça dos dois, a mistureba, amizade e o que que está rolando...ta rolando, e pra ganhar distância da sensação amigos o beijo se torna mais intenso, os dois querem mergulhar, fugir da brisa da realidade, que as vezes bate, mais o beijo apaga, o beijo fecha a venesiana, até que toda a carne se entregue ao desejo, El DESEO.
Juan sente que pode e passa a mão por dentro do pijama, na altura da bunda dela. Carne macia, gelada nas bordas, quente medida que se aproxima do centro, e mais quente, mais e mais, até que umidece os dedos. Mordidas no pescoço, respiração, farra de boca dos mamilos, pressão das mãos, pêlos, um cobertor no chão. Valentina houve passos, por um instante se aquieta, administrando a respiração ofegante. Pode ser o velho...Mas logo vem o silêncio, ela solta a respiração e vem pra cima, pros lábios dele nela, mão, boca ocupa boca língua dente égua, úmido, cabelo , Córtex by córtex, e prepara a montaria.
Juan vira Valentina de bruços, afasta as pernas dela, passa a mão pra achar o caminho. Questão de segundos e ela sente uma injeção de agulha grossa lhe separando as entranhas. Ao invés da dor, um prazer que vem pela coluna até a nuca, onde Juan beija e morde. A amizade foi pras picas, literalmente. O velho com certeza houve tudo.
Manhã de chuva, ruas molhadas. Juan acorda grudado na amiga. Toma um susto. Não imagina como possa ser a primeira conversa, o primeiro olhar. Mas ela suspira e se vira, sorrindo. Ele a beija, bafão.
Depois de um café rápido, Juan se despede com um beijo no canto da boca, o clima pesa.
Juan pega suas coisas no Hotel e segue pra estação de Trem. Compra um ticket pra Paris. Vê um orelhão, pessoas ao celular, mas não telefona.
No trem pensa em valentina, triste ser assim, não ligar, não se despedir. Mas a possibilidade de encarar a real o faz seguir pra longe, sem rastros...ainda que faça mal.
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João Pavese
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terça-feira, 25 de setembro de 2007
Parque dos Coqueiros km 07

Ar Condicionado me lembra a Bahia.
Não estes modernos, silenciosos,
aquele marrom, barulhento, que vibra a la geladeira.
Andar descalço pelo condomínio do meu tio,
ruas de terra e cascalho moído,
cajueiros, pássaros pretos, eu de short e fitinha do bonfim no braço.
Andava descalço pra imitar meu primo.
O status era ter o fundo do pé duro, um cascão.
E eu queria ter um daqueles.
A noite, antes de dormir, checava meu cascão
pra ver se, até o fim do verão,
conseguiria ter um pé como o do meu primo Maurício.
No condomínio, as casas eram muito chiques.
Piscinas e jardins bem cuidados. Nada de muro.
Lembro da casa do Ari.
Um Atari na sala. Jogava PacMan e River raid.
De noite, quando a temperatura caía pros 28 graus,
ainda descalço, de banho tomado,
brincava de polícia e ladrão.
Lembro que fiquei atrás de um muro perto de um poste,
o barulho do transformador e minha respiração de ramister asmático,
não conseguia controlar a respiração depois de uma corrida.
Segurava ao máximo
A polícia podia estar por perto.
Lembro das minhas primas.
Na hora do banho.
o box mais baixo que o nível do banheiro.
Via a xoxota pelada,
aquele olho de japa na vertical
e já achava interessante.
O design triangular, de alguma forma
cutucava meu cerebelo nos seus gens 95% chipanzé.
Minhas irmãs tinham, minha mãe também,
mas os pêlos cegavam o olho de japa dela.
Andava descalço direção do rio Joanes.
Rio com mangue
caminho no silêncio
piso onde dói pra ver se o cascão engrossa mais.
Posso ouvir entre as folhagens os lagartos rastejando.
Como chamam por lá: os calangos
Chego no rio
Espumas de mangue flutuam e caminham devagar com o fluxo.
um ou outro peixe respira,
a brisa bate.
Maurício chegava e dizia: João, bora andá pela bera do rio pra pegá siri?
Bora - eu dizia.
E lá íamos pela beira do Joanes, com água pela canela, água turva, atrás de siri e ganhamum.
Maurício não sentia as pedras e ostras que eu topava pelo caminho,
Eu sempre acabava o passeio com alguma lasca a menos do pé.
Maurício ria e dizia: Paulista bunda mole...
A piscina da casa do meu tio tinha um deck em volta
o deck contornava um coqueiro.
Gostava de entrar pelado, 9 da noite, com a luz da piscina ligada.
aquele azulão claro, meus pés lá embaixo, o pinto balançando.
Tinha um pouco de medo nessa hora.
Meu tio matou duas cascavéis ali.
Tanto é que na parte funda, perto do filtro, tem um remendo de durepox.
Maurício disse que foi da bala.
Meu tio matou as cobras na bala, com um 38.
Mas a verdade é que a água e a noite eram tão boas, que eu não conseguia sair mesmo com medo.
Nessa hora podia escutar o barulho do ar condicionado de cada quarto.
Depois de um mês voltava pra SP.
Varig
Na identificação dizia: Mr. Pavese, desacomp. 7 anos
Meu amigo...Cada aeromoça...me abraçavam,
fofinho pra cá, e eu sentindo o peitão no uniforme azul...
Queimado, com pé cascão e camiseta hering listrada de marinheiro,
pedia pra ir na cabine.
Sempre deixavam.
Em casa, achava tudo estranho.
Frio, sem coqueiros, pão pinheirense, blusa de lã.
Meu irmão com aquele pé de bebê.
comparava o meu com o dele e dizia: paulista bunda mole...
Não gostava da volta.
Sentia muita saudade da brisa, do rio, do ar condicionado.
Sempre senti. Continuo sentindo.
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João Pavese
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segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Indico: PHILIP ROTH um dos meus preferidos

Numa narrativa direta, íntima e ao mesmo tempo universal, Philip Roth explora o tema da perda, do arrependimento e do estoicismo. O autor de Complô contra a América, que relatava o encontro angustiante de uma família com a história, agora volta sua atenção para a luta de um homem contra a mortalidade, conflito que dura sua vida inteira.
Acompanhamos o destino do homem comum de Roth a partir de seu primeiro confronto com a morte, nas praias idílicas dos verões da infância, passando pelos conflitos familiares e pelas realizações profissionais da idade adulta, até a velhice, quando ele fica dilacerado ao constatar a deterioração de seus contemporâneos e dele próprio, atormentado por uma série de males físicos.
Artista comercial de sucesso, trabalhando numa agência publicitária em Nova York, ele tem dois filhos do primeiro casamento, que o desprezam, e uma filha do segundo casamento, que o adora. É amado pelo irmão, um homem bom cuja saúde perfeita termina por despertar sua inveja rancorosa, e é também o ex-marido solitário de três mulheres muito diferentes, tendo ele próprio destroçado os três casamentos. No final, é um homem que se transformou naquilo que não quer ser.
O título original da obra, Everyman (literalmente, "Todo homem"), é também o nome de uma peça alegórica do século XV, um clássico da dramaturgia inglesa, cujo tema é a chegada da morte ao mundo dos vivos.
LIVRO VENCEDOR DO PEN/FAULKER 2007
"Philip Roth desmente com maestria a máxima de Georg Luckács, de que é impossível um escritor abarcar todos os fatos da vida." - Nadine Gordimer, The New York Times
"O estilo do romance é simples, comedido, mas também poderosamente humano e de uma verdade implacável." - The Observer
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João Pavese
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Indicação da semana:
Fábrica de Animais
Edward Bunker
Extraído das experiências vividas no mundo sórdido e terrivelmente violento das prisões americanas, Fábrica de Animais, de Edward Bunker, mergulha no universo violento e paranóico de San Quentin, onde status e território são artigos fatais e em constante transição, para contar a história de dois criminosos.
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João Pavese
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A Vontade de Escrever

Passa o tempo e eu não sento pra escrever. Sempre alguma desculpa. Sair, alguém liga, TV, comer, beber, risadas. Nunca a concentração pra produzir algo valioso. Lembro do tempo que me dedicava ao Nervo Exposto. Eram de 8 a 10 horas por dia na frente do Lap escrevendo e lendo. Isso quando não pegava a noite pra revisar, já na cama. Mas lembrando bem, qual era a minha real situação naquela época? Exato, exato...sem mulher, sem trabalho efetivo que me desse rendas. Mas grana nunca liguei muito (ando ligando mais) fato é que não ter biucets me levava a escrever aquele monte. De alguma forma se tem que gozar. Se não era um gozo efetivo, leitoso, tinha que ser pela literatura. Passava o dia naquela punhetinha, frase sobre frase, até achar um veio de grandes palavras que combinadas davam um tchan...gozava. Mas e agora? Agora que a fartura de aliche é grande nos dedos, como resgatar minha fome pela literatura? Daí o blog, na base da fisio, quero voltar a sentir prazer na escrita. Tem mais um problema: quando estou bem, não gosto dos meus textos. Parece que preciso sofrer, na depre total, pra sair algo resoável. Claro, eu baiano caymmi, rede, coqueiros, pé na água não quero mais nada enquanto não me apertam. Se deixar, se não faltar comida da boa, uma rede, uma praia, uma companhia, sou capaz de ficar por ali...
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João Pavese
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Domingo logo cedo, pé na estrada direção Itu, interior de São Paulo. Tudo muito seco. O ar, a terra, as plantas. Me vem em mente a matéria que li sobre aquecimento global, que a calota polar nunca esteve tão enxuta desde o início das medições por satélite na década de 1970. Trechos antes nunca navegáveis, agora podem ser transpostos com facilidade entre os Icebergs. Com certeza o Amyr deve estar preparando mais uma. Bom, Itu, era disso que falávamos. Castelo Branco, 120 por hora, eu e minha namorada. O ar seco me arde as narinas, os olhos vermelhos, o sol, também avermelhado pelo excesso de fumaça, e tudo caminha pra não sei onde, boa coisa não é.
Chegando em Itu, num belo Sítio das árvores pintadas de branco na base, meias socket, avistei o azul da piscina. Imediatamente coloquei meu short florido Magnum em Miami e me aproximei dos convivas. Conversa boa, histórias de vida, bloodymarys, cervejas, e o sol mordendo as pintas do braço falando vem, vem melanoma. Conversa vai, conversa vem, resolvo mijar. Onde é o banheiro? Desce aqui, vira ali, ao lado da sauna. Beleza. Caminho direção banheiro já meio bêbado. Sensação boa, os trinta anos me deram coisas boas. Talvez a melhor delas seja a facilidade que desenvolvi pra lidar e conviver com as pessoas. 5 anos atrás, numa situação dessa, demoraria um bom tempo pra me enturmar. Hoje, faço tudo isso com a mesma naturalidade que abro um pote de geléia no café da manhã, não preciso mais pensar no que falar, como agir, o cérebro processa e abro a boca, sinapses e as palavras saem azeite doce. Bom, achei o banheiro. Mijo e sinto cheiro de curto, de fogo. Viro a cabeça e do interruptor da sauna sai uma fumaça preta, densa. Acabo de mijar e me aproximo. é curto. Subo e chamo os outros, que não dão demasiada importância. Me sirvo de outro bloody. Pulo na piscina, carinho e bitoca na namo. Mas agora sobe uma fumaça preta pela lateral da casa. Não só, labaredas solares de 2 metros de altura lambem a alvenaria. Vem o caseiro com a mangueira, caseira com balde, eu e outro convidado incorporamos o 11 de Setembro e pegamos cada um um esguicho e uma picareta. Quebro as janelas, aos gritos, a fuligem cobre minha cara, dou uma esguichada, a namorada me puxa pelo braço, mais um vidro pipoca, temos três dedos de visão, o resto é fumaça negra, os olhos ardem, a bebedeira passa, o fogo começa a perder, sobe o vapor, até que controlamos as chamas. Que domingão de calor...
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