sexta-feira, 21 de setembro de 2007

E depois de Fidel?

Dia 10 de outubro, 19h30, no auditório do MASP, eu e outros convidados
estaremos na mesa redonda E DEPOIS DE FIDEL?
Qual o futuro da Ilha quando Fidel morrer?
Vá ao final da página e dê seu voto.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

o pe no fundo

Sentido Pacaembu desço de lambreta lambendo a bunda do estádio.
Num dos barrancos alguns mendigos fazem fogo e estendem roupas. Escorre uma água preta
pelo meio fio, muito sujeira, cachorros. Me vem em mente uma grande onda na praia, quebrando na minha cabeça.
Embolado na espuma, não sei o que é chão ou superfície, tudo escuro e salgado. Até que a força da água diminui, recobro
meus referenciais, e finalmente meus pés tocam a areia. Chuto com força sentido superfície até que minha cabeça apareça, como uma tartaruga marinha, em meio a espuma. A lambreta em movimento, o mendigos, a sobrevivência.
Eu, profissional liberal, solto, se vacilar viro um deles. Só o medo, o pavor de acabar na merda, quando chega no limite, me impulsiona pra longe, pra cima.

Umidade

Ela quentinha
corpo afastado
barulho na rua
faz despertar
cabelo na nuca, respiraçnao profunda
me aproximo e sinto pele
cheiro
carne
respiração muda

Ela acorda e se vira
beijo
bafo
cabelo

A mão desliza e encontra
ativa as conecções necessárias
instinto
respiração aumenta
helicóptero passa
barulho constante dos carros na Heitor
Creme de mel na cabeceira
abre pote
cheiro
pele quente
creme frio
tudo macio
corpo encontra
se encontram
palavras chave no ouvido
cabelo
frio, cobre as costas
calor do corpo sobe quando abana edredom
beijo
tudo quente e úmido
desfoque
efeito heroína
olhar num ponto fixo que nnao vale nada
aliás, olhos se fecham
sentir
prazer
muito
bom dia

Respira

Respira com calma
O ar que te resta
pensando
Esquece lá fora
te agarra no lastro e e na vela molhada
pensa no mar, no amor
na solução
que uma hora a tempestade passa

Bela Pegada

Bela Pegada

Foi na Praia de Toque-Toque. Eu na varanda numa tarde tibia. Casa emprestada de um amigo da mãe dela. Puta vista, lia Delta de Vênus, Anais Nin. Ela tinha ido dar uma banda pela praia. Aquela caminhada de meia hora pra poder caprichar no doce depois do almoço. Eu? Como disse, varanda. Lia sem muita concentração, ora ouvia a cigarra na carnaúba, ora o som do mar ao longe eeeeeeee pousava na página.
A falta de concentração tinha um motivo claro: Tudo que eu queria é que ela voltasse da caminhada o mais rápido possível. Faz sua caminhadinha, encontra a amiga e volta logo. Quero fodê-la.

Meia hora, quarenta minutos e nada. A leitura inquieta, o pau respondendo aos presságios. Nada.

Então ouvi passos. Moça da cidade que pisa folha seca em trilha aberta na mata. Era ela. Passou por mim salgada e suada e eu de óculos escuros fingi da absorção na leitura ao susto com a sua presença., como se ela me despertasse da leitura profunda e prazerosa. Então mirei aquele biquíni azul de miçangas vermelhas, uma virilha raspada, um belo umbigo que passava na direção da cozinha. Não agüentei, joguei o Miller de lado, sem marcar página e a segui.
Ela estava na geladeira pegando queijo branco. Tirou o prato e pôs na bancada que é mesa em casa de praia. Encostei. Pedi um pedaço do queijo. Me deu na boca. Encostei por trás. Peguei numa bunda fresca, dedos de queijo branco. Ela continuou mastigando fingindo de desentendida. Afastei o biquíni de lado. Ela comendo. Procurei com dois dos dedos o sumo. Escorregaram pra dentro. Ao mesmo tempo que os dedos passeavam apertei-lhe ainda mais a bunda e mordi-lhe o pescoço. Paralisada, braço meio aberto com uma fina fatia do queijo na mão, sussurrou ao meu ouvido: Tá querendo me comê é?

Na Piscina

Na piscina deito com a cerveja do lado
o sol me queima as pestanas
sei que daqui a duas horas
mais bonito vou estar
Sinto o suor
abro os olhos
é hora de dar um mergulho
caminhando ao meu lado
uma bunda
o biquini faz que entra
a cada passada
slow motion de carne
Bun DA
bela porção de carne
dou mais um gole da cerveja
ainda que o sol incomode
de soslaio
acompanho a bunda
não custa nada comer
que seja em pensamentos

Adiante

Era de se esperar
três dias em que tudo de bom acontece
precedem um de tormentos
No mar, calmaria
no horizonte
tempestade
A boreste, cinza
a Bombordo, relâmpagos
resta se entregar
na jangada
e ser engolido

Não posso parar de remar
ainda que me canse
sede
baba salgada
olhos esbugalhados
tem que haver um céu adiante...Azul

A Angustia Transita

Resolvido um problema
seja ele de trabalho, amor
a angústia escorrega
assim como bolhas de mercúrio líquido
pra onde tem espaço vago.

Se o problema é encontrar alguém
amar
Então vemos casais se beijando na praça,
na novela,
os amigos com namoradas,
e tudo faz mal.
A angústia lhe corroendo
cobrando um alguém

Mas aí você finalmente encontra
e toda a dor é esquecida.
Chega a lembrar dos domingos de solidão
do vazio
que agora perderam importância.

Aí a angústia não encontra mais espaço no quisito amor.
Você pensa que ela vai te deixar em paz
mas ela escorrega, escorrega, escorrega
até que encontra outro nicho
Trabalho.
Estou feliz no que faço?
E começa tudo de novo...

O peso das Coisas

O peso das coisas

Enquanto tento dormir
sinto o peso das coisas

quando devo, pesa
quando não, gás hélio

Deixar interferir? Não.
Flutuar no tal hélio
clarinete
cobra coral

filete de água no riacho
redemoinho de areia branca no meu calcanhar
sem gravidade
mergulhar de boca num peito e mamar

sem que continuem a me comer pelas bordas
organizar o que vai dentro
pra poder voar
tranquilo
a favor do meu vento

O peso das Coisas

O peso das coisas

Enquanto tento dormir
sinto o peso das coisas

quando devo, pesa
quando não, gás hélio

Deixar interferir? Não.
Flutuar no tal hélio
clarinete
cobra coral

filete de água no riacho
redemoinho de areia branca no meu calcanhar
sem gravidade
mergulhar de boca num peito e mamar

sem que continuem a me comer pelas bordas
organizar o que vai dentro
pra poder voar
tranquilo
a favor do meu vento