segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Domingo logo cedo, pé na estrada direção Itu, interior de São Paulo. Tudo muito seco. O ar, a terra, as plantas. Me vem em mente a matéria que li sobre aquecimento global, que a calota polar nunca esteve tão enxuta desde o início das medições por satélite na década de 1970. Trechos antes nunca navegáveis, agora podem ser transpostos com facilidade entre os Icebergs. Com certeza o Amyr deve estar preparando mais uma. Bom, Itu, era disso que falávamos. Castelo Branco, 120 por hora, eu e minha namorada. O ar seco me arde as narinas, os olhos vermelhos, o sol, também avermelhado pelo excesso de fumaça, e tudo caminha pra não sei onde, boa coisa não é.

Chegando em Itu, num belo Sítio das árvores pintadas de branco na base, meias socket, avistei o azul da piscina. Imediatamente coloquei meu short florido Magnum em Miami e me aproximei dos convivas. Conversa boa, histórias de vida, bloodymarys, cervejas, e o sol mordendo as pintas do braço falando vem, vem melanoma. Conversa vai, conversa vem, resolvo mijar. Onde é o banheiro? Desce aqui, vira ali, ao lado da sauna. Beleza. Caminho direção banheiro já meio bêbado. Sensação boa, os trinta anos me deram coisas boas. Talvez a melhor delas seja a facilidade que desenvolvi pra lidar e conviver com as pessoas. 5 anos atrás, numa situação dessa, demoraria um bom tempo pra me enturmar. Hoje, faço tudo isso com a mesma naturalidade que abro um pote de geléia no café da manhã, não preciso mais pensar no que falar, como agir, o cérebro processa e abro a boca, sinapses e as palavras saem azeite doce. Bom, achei o banheiro. Mijo e sinto cheiro de curto, de fogo. Viro a cabeça e do interruptor da sauna sai uma fumaça preta, densa. Acabo de mijar e me aproximo. é curto. Subo e chamo os outros, que não dão demasiada importância. Me sirvo de outro bloody. Pulo na piscina, carinho e bitoca na namo. Mas agora sobe uma fumaça preta pela lateral da casa. Não só, labaredas solares de 2 metros de altura lambem a alvenaria. Vem o caseiro com a mangueira, caseira com balde, eu e outro convidado incorporamos o 11 de Setembro e pegamos cada um um esguicho e uma picareta. Quebro as janelas, aos gritos, a fuligem cobre minha cara, dou uma esguichada, a namorada me puxa pelo braço, mais um vidro pipoca, temos três dedos de visão, o resto é fumaça negra, os olhos ardem, a bebedeira passa, o fogo começa a perder, sobe o vapor, até que controlamos as chamas. Que domingão de calor...

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