segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Indico: PHILIP ROTH um dos meus preferidos

Numa narrativa direta, íntima e ao mesmo tempo universal, Philip Roth explora o tema da perda, do arrependimento e do estoicismo. O autor de Complô contra a América, que relatava o encontro angustiante de uma família com a história, agora volta sua atenção para a luta de um homem contra a mortalidade, conflito que dura sua vida inteira.
Acompanhamos o destino do homem comum de Roth a partir de seu primeiro confronto com a morte, nas praias idílicas dos verões da infância, passando pelos conflitos familiares e pelas realizações profissionais da idade adulta, até a velhice, quando ele fica dilacerado ao constatar a deterioração de seus contemporâneos e dele próprio, atormentado por uma série de males físicos.
Artista comercial de sucesso, trabalhando numa agência publicitária em Nova York, ele tem dois filhos do primeiro casamento, que o desprezam, e uma filha do segundo casamento, que o adora. É amado pelo irmão, um homem bom cuja saúde perfeita termina por despertar sua inveja rancorosa, e é também o ex-marido solitário de três mulheres muito diferentes, tendo ele próprio destroçado os três casamentos. No final, é um homem que se transformou naquilo que não quer ser.
O título original da obra, Everyman (literalmente, "Todo homem"), é também o nome de uma peça alegórica do século XV, um clássico da dramaturgia inglesa, cujo tema é a chegada da morte ao mundo dos vivos.
LIVRO VENCEDOR DO PEN/FAULKER 2007
"Philip Roth desmente com maestria a máxima de Georg Luckács, de que é impossível um escritor abarcar todos os fatos da vida." - Nadine Gordimer, The New York Times
"O estilo do romance é simples, comedido, mas também poderosamente humano e de uma verdade implacável." - The Observer
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João Pavese
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Indicação da semana:
Fábrica de Animais
Edward Bunker
Extraído das experiências vividas no mundo sórdido e terrivelmente violento das prisões americanas, Fábrica de Animais, de Edward Bunker, mergulha no universo violento e paranóico de San Quentin, onde status e território são artigos fatais e em constante transição, para contar a história de dois criminosos.
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João Pavese
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A Vontade de Escrever

Passa o tempo e eu não sento pra escrever. Sempre alguma desculpa. Sair, alguém liga, TV, comer, beber, risadas. Nunca a concentração pra produzir algo valioso. Lembro do tempo que me dedicava ao Nervo Exposto. Eram de 8 a 10 horas por dia na frente do Lap escrevendo e lendo. Isso quando não pegava a noite pra revisar, já na cama. Mas lembrando bem, qual era a minha real situação naquela época? Exato, exato...sem mulher, sem trabalho efetivo que me desse rendas. Mas grana nunca liguei muito (ando ligando mais) fato é que não ter biucets me levava a escrever aquele monte. De alguma forma se tem que gozar. Se não era um gozo efetivo, leitoso, tinha que ser pela literatura. Passava o dia naquela punhetinha, frase sobre frase, até achar um veio de grandes palavras que combinadas davam um tchan...gozava. Mas e agora? Agora que a fartura de aliche é grande nos dedos, como resgatar minha fome pela literatura? Daí o blog, na base da fisio, quero voltar a sentir prazer na escrita. Tem mais um problema: quando estou bem, não gosto dos meus textos. Parece que preciso sofrer, na depre total, pra sair algo resoável. Claro, eu baiano caymmi, rede, coqueiros, pé na água não quero mais nada enquanto não me apertam. Se deixar, se não faltar comida da boa, uma rede, uma praia, uma companhia, sou capaz de ficar por ali...
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João Pavese
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11:25
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Domingo logo cedo, pé na estrada direção Itu, interior de São Paulo. Tudo muito seco. O ar, a terra, as plantas. Me vem em mente a matéria que li sobre aquecimento global, que a calota polar nunca esteve tão enxuta desde o início das medições por satélite na década de 1970. Trechos antes nunca navegáveis, agora podem ser transpostos com facilidade entre os Icebergs. Com certeza o Amyr deve estar preparando mais uma. Bom, Itu, era disso que falávamos. Castelo Branco, 120 por hora, eu e minha namorada. O ar seco me arde as narinas, os olhos vermelhos, o sol, também avermelhado pelo excesso de fumaça, e tudo caminha pra não sei onde, boa coisa não é.
Chegando em Itu, num belo Sítio das árvores pintadas de branco na base, meias socket, avistei o azul da piscina. Imediatamente coloquei meu short florido Magnum em Miami e me aproximei dos convivas. Conversa boa, histórias de vida, bloodymarys, cervejas, e o sol mordendo as pintas do braço falando vem, vem melanoma. Conversa vai, conversa vem, resolvo mijar. Onde é o banheiro? Desce aqui, vira ali, ao lado da sauna. Beleza. Caminho direção banheiro já meio bêbado. Sensação boa, os trinta anos me deram coisas boas. Talvez a melhor delas seja a facilidade que desenvolvi pra lidar e conviver com as pessoas. 5 anos atrás, numa situação dessa, demoraria um bom tempo pra me enturmar. Hoje, faço tudo isso com a mesma naturalidade que abro um pote de geléia no café da manhã, não preciso mais pensar no que falar, como agir, o cérebro processa e abro a boca, sinapses e as palavras saem azeite doce. Bom, achei o banheiro. Mijo e sinto cheiro de curto, de fogo. Viro a cabeça e do interruptor da sauna sai uma fumaça preta, densa. Acabo de mijar e me aproximo. é curto. Subo e chamo os outros, que não dão demasiada importância. Me sirvo de outro bloody. Pulo na piscina, carinho e bitoca na namo. Mas agora sobe uma fumaça preta pela lateral da casa. Não só, labaredas solares de 2 metros de altura lambem a alvenaria. Vem o caseiro com a mangueira, caseira com balde, eu e outro convidado incorporamos o 11 de Setembro e pegamos cada um um esguicho e uma picareta. Quebro as janelas, aos gritos, a fuligem cobre minha cara, dou uma esguichada, a namorada me puxa pelo braço, mais um vidro pipoca, temos três dedos de visão, o resto é fumaça negra, os olhos ardem, a bebedeira passa, o fogo começa a perder, sobe o vapor, até que controlamos as chamas. Que domingão de calor...
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João Pavese
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07:04
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