(foto tirada no momento em que pensava - acervo João Pavese)
Apesar de estar dormindo bem, indo pra cama meia noite acordando às 8, sem despertador, invariavelmente, lá pras 6 da manhã, desperto do nada no meio de um sonho. Dificilmente um pesadelo, mas claramente uma mensagem do inconsciente. O sonho vai certeiro nas minhas lacunas, neuroses, e acaba por incomodar. Raramente é erótico, raramente um vôo entre peladas numa casa da Grécia, o mar azul, pedras roliças na praia, vestido branco molhando as pontas na água. O sonho me cerca nas minhas fraquezas. O mau uso dos meus potenciais, os recalques, a falta de amadurecimento - tardio -, como se eu fosse uma peça obsoleta que gira em falso, em que os dentes da engrenagem não se encaixam nas outras, e ficam mais ou menos como uma marcha ré mal engatada, grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr. Como encaixar? Fui lapidado por traumas e alegrias, gens e arquétipos, cipós e maracas, e agora? Agora talvez seja tarde pra mudanças profundas que me tirem do atoleiro onde só caminhões maiores passam com segurança. Bom, pelo menos nestas acordadas das 6 pra refletir sobre sonhos, consigo aos poucos entender minha loucura, e a dos outros.


1 comentário:
Quando teu pai passou o blog, parece que rolou uma pressão. “Vai lá, vê o que tu acha do texto do Jão”. Me intimidei e tirei da reta, não tava a fim de fazer crítica.
Aí agora, tempo ido, lendo o texto, posso dizer que gosto, por causa da proximidade de idade, ou de referências, sei lá. Não gosto de tudo, algumas coisas me incomodam, outras me provocam aquele sorriso interno, de identidade. De qualquer modo, sempre venho olhar se tem algo novo. Ia escrever pro teu pai, pra dizer que ler os textos do filho dele já havia virado hábito. Achei que devia dizer pra vc. Boa sorte. J.
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