quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Boa estória bem contada

por Robert Mckee - Story - editora arte & letra

Uma estória bem contada significa algo válido a dizer que o mundo queira ouvir. O que dizer você terá que descobrir sozinho. Ela começa com talento. Você precisa nascer com o poder criativo para juntar idéias de uma maneira que ninguém nunca sonhou. Depois, você precisa trazer ao trabalho uma visão dirigida por um novo panorama sobre a natureza humana e a sociedade, acasalada com um profundo conhecimento de seus personagens e seu mundo.

Você deve escrever e suportar a solidão. Sua meta deve ser uma boa estória bem contada.

Assim como um compositor deve atingir excelência nos princípios da composição musical, você também precisa dominar os princípios correspondentes da composição da estória. Essa arte não é mecânica  nem macete. É um concerto de técnicas pelas quais criamos uma intriga de interesses entre nós e o público. A arte é a soma final de todos os meios pelos quais deixamos o público profundamente envolvidos, mantemos este envolvimento e, finalmente, recompensamo-nos com uma experiência comovente e significativa.

Sem a perícia na arte, o melhor que um escritor pode fazer é apanhar a primeira idéia que vem em sua cabeça, e daí sentar desamparado em frente ao próprio trabalho, sem poder responder `as terríveis questões: "está bom? Ou está um lixo? E se está um lixo, o que eu faço?" O lado consciente da mente, fixada nessas terríveis questões, bloqueia o subconsciente. Mas quando o consciente é posto para trabalhar na tarefa objetiva de executar a arte, o espontâneo emerge. A perícia na arte libera o subconsciente.

Qual é o ritmo do dia de um escritor? Primeiro, você entra no seu mundo imaginário. Enquanto as personagens falam e atuam, você escreve. Qual é a próxima coisa a fazer? Você sai de sua fantasia e lê o que escreveu. E o que você faz quando lê? Analisa. "Isto é bom? Isso funciona? Por que não? Devo cortar? Adiciona? Reordenar?" Você escreve, você lê; cria, critica; impulso, lógica; cérebro direito, esquerdo; re-imagina, reescreve. E a qualidade de sua escrita, a possibilidade de perfeição, depende de seu comando da arte que lhe guia para corrigir a imperfeição. Um artista nunca deve estar `a mercê dos caprichos do impulso; ele voluntarialmente exercita sua arte para criar harmonias de instinto e idéia.

O escritor deve ganhar a vida escrevendo

Escrever enquanto se trabalha quarenta horas por semana é possível. Milhares já o fizeram. Mas com o tempo, vem a exaustão, a concentração vai embora, a criatividade se desintegra e você é tentado a desistir. Antes que isso aconteça, você precisa descobrir uma maneira de fazer da escrita seu ganha-pão.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Queria eu poder

Para que lado correr? Não tem mais por onde.
Um rato no labirinto de acrílico. Saídas A, B, C e D.
Ele sai na D. Errou. Choque do Cientista. Luz da lanterna dilata as pupilas.
De volta ao lar. Uma pequena caixa com ração e um chumaço de palha.
Peso de 2 kg em cada mão, ele se vê no espelho do quarto e um, dois, três, - com raiva - na tentativa equivocada de privar o tempo que se acelera cada vez mais com a angústia e engraxa olheiras, salpica caspas - é natal - nos ombros curvados. Não adianta rir de manhã, nem ir comprar pão como se nada tivesse acontecido. As pessoas percebem. Muitas delas passaram por isso.
Por um tempo a realidade fora arquivada num ritual prazeiroso.
As doses cada vez maiores – cavalares - do torpor gozo, chorando o leite derramado nos lençóis da tia, no travesseiro da prima, no tapete de borracha do carro.
Um serial de picadas de najas e cascavéis, víboras em geral, paralisia, a sensação do veneno nas entranhas trava as articulações, espasmos nas falanges. Olhos virados, boca seca, abdomén contraído. Sentir. Nada melhor do que se blindar consumindo prazer incessantemente, sem dar brechas para a dor.
O prazer encontra a ladeira e desce skate slide pegando um landau no cruzamento. O céu azul naquela posição, ralado no asfalto, perde propriedades. Hora de pensar. Menino pode se divertir, você não meu velho. Não existe mais lugar para o tal menino que você é e deseja permanecer sendo. Game is Over. Its over, baby. Um tapinha no ombro não melhora as coisas, te faz coitado isto sim. E passa uma BMW. Como ele conseguiu?
Queria ter tido a exata noção do meu caminho aos 20 anos, não com 30 no desespero.
Teria sido muito mais fácil. Um pendrive na medula pisca como todas estas informações, só que dez anos atrás. E tem quem tenha, aos quinze. 32 GB.
Amadurecer jovem, com tempo para maturar escolhas, sem sofrer tanto para chegar onde elas estão. O caminho no cangaço. Cavalo sem cela, mandacaru por todo lado. O podre começa a feder.
Não ter que errar tanto. A ponto quase de desistir.
Agora é tarde. Pela primeira vez me bate a idéia da idade, envelhecer. Aos meus olhos mudar me parece uma manobra gigantesca.
Talvez não exista saída, por mais que se tente.
A única chance não é tentar, e sim conseguir.
Fracassar é morrer. E se não vem a coragem de se matar
Vegetar com a vergonha do fracasso é morrer lentamente.
A água bateu na bunda.
A bunda na água.
A cabeça no teto.
Nem um copo d’água.
Nem um cafuné.
Melhor que seja agora.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Menino do Rio

Leandro. O típico garoto classe média de Ipanema dos anos 1990. Forjado a danoninho e televisão a cabo pelos pais numa incessante preocupação de emplacar o filho como um adulto capaz de se estabelecer dentro dos interesses da elite carioca, o garoto tem uma infância e adolescência provida de todo conforto. Frequenta a melhor escola da zona sul, surfa no arpoador em dia de semana, fuma baseado nas pedras no tempo de cabular a aula de inglês, garimpa com os amigos cheirosas na danceteria, se embebeda de férias e viagens ao exterior pagas pelos pais. Da grana fácil na mão para um cinema, restaurante, o carro do pai, tanque cheio, sempre, Leandro fica cada vez mais distante de uma noção de luta pela sobrevivência. O quarto dele, refrigerado pelo consul 10.000 btus, é forrado de fotos da galera na praia, na cachoeira, pôr do sol alucinante, na praça de alimentação do shopping, na Disney show de fogos abraçado ao Mickey e Pateta, os adesivos de marca na janela, roupas de grife no armário, dobradas cuidadosamente, coleção de miniaturas de carro na estante, entre os gibis, Playboys e Fluir, da pasta de dente Crest e perfume francês no banheiro, gameboy, os oito pares de nike e pumas, a carteira da Oskley, os Cds de rock fácil, Leandro vive a redoma e não enxerga um palmo fora da bolha que lhe foi dada e cuidadosamente soprada para flutuar assim. Uma visão esteotipada e elitista conforta e assegura seus interesses, o que exclui qualquer possibilidade de entrada de estranhos, pretos e mulatos aos serviços de alto padrão do gueto.
Leandro cresceu, virou um garotão bonito que gosta de academia, do açaí no fim do dia, da corrente prata no pulso direito, da sua tatuagem de albatroz no dorso. Tudo como manda o figurino.
Mas o mundo dá voltas e surpreende a todo instante, sem distinção de raça, classe, cor, credo. Quebra regras, dilascera paradigmas, fode esquemas. No exato instante em que Leandro termina o terceiro colegial, que se prepara folgado pra curtir um ano de praia antes de optar por uma carreira, seu pai, Luís, investidor da bolsa de valores e dono de uma revenda de automóveis, aparece em casa com péssimas notícias. As ações com a crise viraram pó e as vendas de carro zero não cobrem os custos com pessoal e peças. O pai quebrou e com medo de abalar a o ego da família sustentou a mentira até o limite, queimando as reservas para manter o patamar de vida. Foi a centelha da bala na agulha. A realidade conseguiu sua brecha e inoculou a redoma de desgraça. Leandro muito rapidamente percebe que toda aquela segurança se espatifou como um vaso de porcelana no espelho de casa, tudo rachou, inclusive sua imagem de mundo, das pessoas.
Os planos de passar um ano com os pés para o ar são definitivamente suspensos. Leandro entra no desespero de procurar um emprego que lhe garanta um pacote mínimo de conforto compatível com seu antigo status quo. Resolve prestar concurso público, na busca por um emprego seguro. Sabe da dificuldade da prova e resolve estudar como nunca. Ele tem a seu favor o medo do abismo. A possibilidade de fracassar e viver uma vida contada, sem todo o anteparo que sorvia na adolescência, é a força motor que o impulsiona a sentar doze horas por dia decorando leis e cláusulas. Não adianta alguém chamar para uma praia ou aquele chope no boteco. Leandro só levanta ao final do dia para ir `a academia, onde malha, puxa o supino em séries de 15 com força, numa tentativa de anular a dor das perdas com peitos e braços marombados.
Em meio `as tentativas da família de colar os cacos, Leandro faz a prova e passa. Vira auditor fiscal do Ministério do Trabalho. O grande orgulho da família. Apesar do bom salário ele, que nunca teve que ajudar ninguém, pelo contrário, só recebeu, passa a colaborar com as despesas da casa, quantia que morde bonito seu olerite. Mas o pacote é maior. A manobra do titanic fica cada vez mais difícil. A namorada que antes só exigia o sorvete, o sushi, agora cobra um noivado, a possibilidade de casar, encarar um aluguel, filhos. Leandro não aguenta a pressão da noiva, que beira os trinta anos e está louca por um filho. A verdade é que ele não sabe muito bem se é a mulher certa, principalmente porque ela foi a primeira, o grande amor, e agora com uma autonomia de grana, sua vontade é curtir, conhecer outras mulheres, antes de decidir se ela realmente é a tal.
O trabalho no Ministério é tranquilo. Leandro não bate ponto, trabalha por pontuação, pelo número de empresas visitadas e autuadas num mês. Logo vem a rotina, o marasmo, a falta de motivação. Época de questinamentos, se ele não deveria ter aceito a oferta do amigo para ser corretor de imóveis de luxo no Leblon e São Conrado, ganhando mais, fazendo o que gosta. Agora é tarde.
Surge a possibilidade de entrar numa viagem do grupo móvel do Ministério do Trabalho. Consiste numa equipe de auditores, que junto com um procurador do ministério público sob a escolta da Polícia federal, dá flagrante em fazendas com trabalho escravo. Para Leandro aquilo soa aventura, mais do que qualquer outra coisa. Um misto de Armação Ilimitada com Robin Hood, a chance de sair daquele marasmo das visitas nas empresas da baixada fluminense. Ele aceita e se candidata a voluntário.
A primeira viagem é para Mato Grosso, onde as usinas de cana, em época de queima, recrutam hordas de famintos pelo nordeste e norte do país prometendo trabalho. Os trabalhadores chegam ao campo através do gato, homem que um dia já foi cortador de cana e subiu na vida. Ele faz o transporte dos homens, contrata e supervisiona o trabalho, sem que o fazendeiro arque com as responsabilidades pelas condições dos cortadores. Chega uma denúncia anônima ao Ministério de que em algumas usinas, o trabalho é degradante, e as condições de segurança, precárias. Leandro é chamado. Lá se vai o garoto de praia mergulhar no abismo social, cego como um cachorro com glaucoma.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Abertas as inscrições para “É Tudo Verdade”

Estão abertas as inscrições para o É Tudo Verdade - Festival Internacional de Documentários. A 14ª edição do festival, que acontecerá de 25 de março a 6 de abril em São Paulo e no Rio de Janeiro, recebe inscrições de filmes nacionais até o dia 4 de dezembro e de internacionais até o dia 7 de dezembro. Serão aceitas produções finalizadas a partir de junho de 2007 em filmes de 16mm e 35mm, vídeo Betacam (NTSC) e Dvcam.
Fonte: Tela Viva, 27/10, nota

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Modo de andar revela histórico de orgasmos da mulher, diz estudo

da Folha Online e Bangalô News

Um estudo realizado por pesquisadores da Escócia e da Bélgica indica que o modo de andar dá indicações sobre o histórico de orgasmos de uma mulher. A pesquisa, publicada na revista "Journal of Sexual Medicine", indica que especialistas em sexualidade podem fazer a análise desses orgasmos apenas ao ver as mulheres andando.
O estudo foi realizado pela University of the West of Scotland, em colaboração com especialistas da Bélgica.
De acordo com o blog especializado em ciência Scientificblogging.com, a pesquisa analisou 16 estudantes universitárias, que preencheram um questionário sobre sua vida sexual e foram filmadas à distância andando em locais públicos.
As fitas foram vistas por quatro especialistas, que não tinham visto o questionário das universitárias. No final, a pesquisa detectou que os especialistas conseguiam deduzir o orgasmo das mulheres apenas ao ver as imagens, com 80% de acerto. O estudo também indica que a soma de passos largos e rotação da vértebra facilitava o orgasmo das mulheres.
Entre as explicações para o fenômeno estão características anatômicas, a confiança que mulheres demonstram ao andar ou a saúde mental delas.
Para os autores, o estudo mostra indícios da ligação entre bloqueios musculares e a atividade sexual. Eles dizem que isso mostra a importância de tratamentos que envolvam movimentos e atividades musculares para tratar a disfunção sexual.
Já para o Dr. Wallace Large Umbrella, da Universidade do Congo, membro do conselho Long Cock Institute, mestrado em Biodança e Heinch, os bloqueios musculares são causados pela incompetência dos machos durante a cópula. Todas as alunas que fizeram intercâmbio na faculdade em que Dr Wallace leciona, voltaram com vigorosa postura corporal. O coreógrafo Ivaldo Bertazzo, que esteve no Congo a convite de Umbrella, acredita que os homens africanos sejam fundamentais para a manutenção da vida sexual das mulheres.

Homens detectam traição melhor do que mulheres, diz estudo

da Bangalô News


Um estudo realizado por pesquisadores norte-americanos sugere que homens detectam a traição com mais facilidade do que as mulheres. A equipe, da Virginia Commonwealth University, na Virgínia, afirma ainda que os homens são mais desconfiados da infidelidade, mesmo quando não estão sendo traídos.
O pesquisador Paul Andrews e uma equipe de especialistas entrevistaram 203 casais heterossexuais com questionários confidenciais. Eles perguntaram aos voluntários se eles já haviam sido infiéis e se suspeitavam ou sabiam que haviam sido traídos. Entre os homens, 29% admitiram já ter traído. Entre as mulheres, o índice foi de 18,5%.
O estudo, reproduzido pela revista científica "New Scientist", concluiu que, além de trair mais, os homens também são mais espertos para captar sinais de infidelidade.
Eles detectaram 75% dos casos de traição, enquanto as mulheres identificaram apenas 41%. Além disso, eles também apresentaram uma tendência maior de desconfiar das parceiras, mesmo quando elas não eram infiéis.
Para Paul Andrews, esse comportamento tem uma explicação evolutiva, já que, ao contrário das mulheres, os homens nunca podem ter 100% de certeza sobre a paternidade de seus filhos. "Quando a mulher é infiel, o homem pode perder a oportunidade de reproduzir, e acabar investindo seus recursos para criar uma prole de outro homem", diz o pesquisador.
Em entrevista à "New Scientist", David Buss, da Universidade do Texas, diz que o estudo contribui para a teoria de que os homens desenvolveram defesas para detectar a traição, "o que os leva a ser mais cautelosos ao superestimar a infidelidade de suas parceiras".
Já para Hadad Ulkmanien, indiano com mestrado em Técnicas de Pompoarismo pela Loads Cum University, quando a mulher detecta e escolhe o provedor, ela entra em hipnosis fidelis, sendo remota a possibilidade de traição. É exatamente nesta instância que o provedor sente que prendeu a fêmea, que a prole com ela está garantida, e passa a se aventurar com outras.