por Robert Mckee - Story - editora arte & letra
Uma estória bem contada significa algo válido a dizer que o mundo queira ouvir. O que dizer você terá que descobrir sozinho. Ela começa com talento. Você precisa nascer com o poder criativo para juntar idéias de uma maneira que ninguém nunca sonhou. Depois, você precisa trazer ao trabalho uma visão dirigida por um novo panorama sobre a natureza humana e a sociedade, acasalada com um profundo conhecimento de seus personagens e seu mundo.
Você deve escrever e suportar a solidão. Sua meta deve ser uma boa estória bem contada.
Assim como um compositor deve atingir excelência nos princípios da composição musical, você também precisa dominar os princípios correspondentes da composição da estória. Essa arte não é mecânica nem macete. É um concerto de técnicas pelas quais criamos uma intriga de interesses entre nós e o público. A arte é a soma final de todos os meios pelos quais deixamos o público profundamente envolvidos, mantemos este envolvimento e, finalmente, recompensamo-nos com uma experiência comovente e significativa.
Sem a perícia na arte, o melhor que um escritor pode fazer é apanhar a primeira idéia que vem em sua cabeça, e daí sentar desamparado em frente ao próprio trabalho, sem poder responder `as terríveis questões: "está bom? Ou está um lixo? E se está um lixo, o que eu faço?" O lado consciente da mente, fixada nessas terríveis questões, bloqueia o subconsciente. Mas quando o consciente é posto para trabalhar na tarefa objetiva de executar a arte, o espontâneo emerge. A perícia na arte libera o subconsciente.
Qual é o ritmo do dia de um escritor? Primeiro, você entra no seu mundo imaginário. Enquanto as personagens falam e atuam, você escreve. Qual é a próxima coisa a fazer? Você sai de sua fantasia e lê o que escreveu. E o que você faz quando lê? Analisa. "Isto é bom? Isso funciona? Por que não? Devo cortar? Adiciona? Reordenar?" Você escreve, você lê; cria, critica; impulso, lógica; cérebro direito, esquerdo; re-imagina, reescreve. E a qualidade de sua escrita, a possibilidade de perfeição, depende de seu comando da arte que lhe guia para corrigir a imperfeição. Um artista nunca deve estar `a mercê dos caprichos do impulso; ele voluntarialmente exercita sua arte para criar harmonias de instinto e idéia.

1 comentário:
Sabe o que mais me impressionou no Nervo Exposto? Apesar de ter sido publicado (talvez até mesmo escrito, não sei) alguns anos depois da experiência, a forma de narrar mantém vivo o momento.
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