segunda-feira, 14 de abril de 2008

O misterioso homem do chupão no pescoço


Saí de Caraíva por volta das cinco da tarde. O carro já cheio de areia no tapete, na altura do freio de mão, os bancos com marca de sal, fitinha do Bonfim no retrovisor. Depois de uma semana na Bahia, já estava com aquele bronzeado dourado, o ombro começando a descascar, pêlos do braço loiros, e um pouco gordo da quantidade de cerveja, que na praia, com as meninas querendo dançar forró, sempre se acaba tomando mais do que devia. 

Na estrada, descendo pela BR101 sentido Rio, vinha pensando no saldo da viagem. Comi a Camila na praia, sem camisinha, e a Kátia, que trabalhava na pousada, comecei sem mas logo em seguida ela pediu pra colocar. Foda! No final a camisinha estourou e gozei dentro. E o mais interessante é que nenhuma das duas se preocupou com as venéreas, hiv, hepatite. As duas mostraram alguma preocupação com gravidez, fora isso, viraram pro lado e dormiram. 

Apesar das marteladas com hipóteses mil de estar com alguma coisa, o prazer da viagem foi tamanho, que na minha cabeça era impossível acreditar que algo pudesse ter dado errado. Eu com aquela cor, tomando banho de mar, não poderia ter pego nada, muito menos elas, tão carinhosas.

Depois de oitocentos quilômetros rodados, passei por Paraty pra tomar um lanche e abastecer o carro. Resolvi ligar para um amigo meu que tem casa em Ubatuba e sondar se poderia pernoitar por lá e seguir viagem no dia seguinte. O celular chamou duas vezes – Claro! Venha sim, tem um pessoal aqui, uns amigos, balada!

De Paraty a Ubatuba levei umas três horas. Muito buraco, chuvas torrenciais, trânsito de caminhão. Embiquei no portão do Márcio umas nove da noite. Saí e toquei a campanhia, sentia o corpo todo dolorido, principalmente a região da lombar, das doze horas no volante. Márcio atendeu com uma lata de cerveja na mão e já puxou o fecho do portão pra que eu entrasse com o carro.

Entrei pelo caminho de pedras na grama e estacionei de frente pra varanda, o farol iluminou os convivas. Duas meninas na rede, som ligado, baseado na roda, Jorge Ben Jor no som, outros no sofá, amendoins, um entra e sai de gente com cerveja e cigarro, bermudas, cangas, pranchas de surf perto do chuveirão, vinho chileno no fim.

Desci do carro de regata, fedido, o CC a mil, barba presídio, tinha cagado no banheiro de um posto no Espírito Santo, não tinha papel, acabei viajando assim mesmo. Na rede, uma morena linda sentou e se balançou com a sandália raspando o chão. Pelo gordo da bunda dela no tecido da rede, senti que ela tinha todas as qualidade exigidas por Vinícios de Morais. Saboneteira delineada ao sorrir, pés pequeninos e uma pele linda, como se nunca tivesse morado um cravo, uma acne ali. Fui buscar cerveja. 

Voltei e sentei numa cadeira de palha meio furada, ao lado dela. De cara ela viu um chupão no meu pescoço e começou a rir, compulsivamente, talvez pela mistura de THC e álcool. Então chamou a amiga e mostrou, fizeram piadinhas entre si, mais risadas, fiquei na minha. Melhor do que aliança no dedo pra atrair solteira é um belo chupão como marca maior do meu status garanhão. A morena ficou naquele frenesi pra saber quem tinha dado o chupão, onde foi, como estava na Bahia, e eu na minha, contando o mínimo possível pra fazer mistério, o misterioso homem do chupão no pescoço. 

Duas latas depois já conversava com ela, o som das minhas palavras parecia surtir efeito, talvez a mística criada pelo chupão, um viajante que chega sozinho de carrro, da Bahia, barbudo, com aquele chupão roxo, já meio coagulado, disfarçado pelo moreno do sol, fosse algo realmente transformador. Em pouco tempo sabia seu nome: Marina, sobrenome húngaro, paulistana, estudou no Santa Cruz, faz FAU, quer trabalhar com o Paulo Mendes da Rocha e por aí vai. Continuei no conta gotas, revelando os fatos, inventando outros, de acordo com o grau de envolvimento dela pela história. E como foi divertido. Além de linda, era inteligente, bom gosto pra se vestir, uma canga vermelha, blusinha branca, brinco de argola, mexia no cabelo sem parar. A medida que a cerveja descia, sentia minha barriga inchada, aquilo me imcomodava, apalpava o pneu de banha já bem crescidinho sob a camisa, mas nada que em pé, prendendo a respiração, comprometesse o shape.

Algumas latas a mais, me deu vontade de mijar e resolvi ir até o mar dar um mergulho, ver as estrelas. Percebi que Marina ficou muito a fim de ir comigo, já bebinha, louca pra dar um beijo no meu chupão e sobrepor a marca. Mas acho que ela se sentiu encabulada, poderiam falar, as meninas fofocar, ela não se sentiu a vontade pra levantar comigo.

Andei pelo escuro, um caminho estreito por entre amendoeiras, um cheiro gostoso de mata atlântica, uma dama da noite perfumada, até que meus pés tocaram a areia e o barulho do mar se fez presente. Havia o resto de uma fogueira, a brisa do mar acendia a brasa, e então o fogo voltava a brilhar por uns instantes. Deixei a camisa ao lado do fogo, a chave do carro, e caminhei em direção ao mar, daquela massa indecifrável de água, onde as luzes das casas, do luar, não eram suficientes pra poder enxergar onde as ondas estouravam. Recebia pela frente, de sopetão, aquele gordo denso salgado da onda e era gostoso, água a 22 graus, os plânctons apareciam a medida que meus braço afundavam. Fiquei ali me refazendo da viagem, pensando nas coisas, no que seria a volta pra São Paulo, o trabalho. Aí pensei na Marina, que morena, mal sabe ela que vim da Bahia e acabei de comer duas sem camisinha, e o pior é que tenho certeza que se rolar algo entre a gente, vou comer sem, porque ela é espetacular, não vou aguentar na hora, vai ser foda, ela vai ter que segurar a onda e exigir uma protection, porque por mim, como mesmo, beijo ela inteira, chupo e durmo abraçado. Ai imaginei um pouco como seria nossa noite, se poderia rolar alguma coisa, e fui fazendo associação atrás de associação até que imaginei ela pegando na minha bunda e aí lembrei do banheiro do Espírito Santo, não rolou papel, e não seria nada romântico constatar que o principe não limpa o cu. Peguei um pouco de areia no fundo e junto com a água dei uma bela lavada nos óio. Agora sim, tudo estava nos trinques, nada poderia dar errado, pelo menos no quesito limpeza.

Mais alguns mergulhos, até com certo medo de tubarão, tinha a fogueira como referência. O mar podia até puxar um pouco, mas braçava de volta numa reta com o fogo. Foi ao olhar fixo na direção da fogueira que percebi uma silhueta se aproximando na areia. Uma canga, cabelos longos, puta que la madre, Marina.

Arrumei o pau na bermuda, aproveitei e dei mais uma limpada atrás, e sai da água. Ela mesmo. Braços cruzados do friozinho da noite, lata de cerveja na mão, a fogueira me ajudou a ver seus olhos verdes banhados do âmbar, bem fechados, bêbada, chapada, deve ter ficado ali com o pessoal, aquele assunto maçante de jovem imbecilizado, e os chupões cada vez mais presentes no seu pensamento, até que teve coragem de abandonar tudo aquilo e vir até mim.

Enxuguei o rosto na blusa e coloquei a chave no bolso. Ela ria, ria, enquanto jogava um pouco de areia nas brasas que se desprenderam do grupo. Pelo jeito que tragava o cigarro, ficou claro que tinha começado a fumar a pouco. Não sabia segurar a fumaça por muito tempo, a batida de cinza não era tão automática quanto um fumante veterano o faz. Mesmo assim a nicotina, correndo velozmente pelas artérias da moça, já fazia seu papel de apaziguar os anseios, as angústias da juventude. Tive vontade de pedir pra ela parar. Mas aí com certeza estaria dando um de chato. Eu ali não era o pai, nem a mãe, muito pelo contrário, meu desejo era fazer com ela o que os pais nem imaginam. 

Contei sobre a Bahia, sobre a praia, os passeios de barco, mas claro que o assunto em pauta, de maior interesse, era a história do chupão. Eu queria evitar falar no assunto, sabia que teria que inventar uma história se ela me apertasse pra contar, mas não teve jeito, ela queria de qualquer maneira saber quem era. Procurei mentir o mínimo possível, disse que vivi um romance, mas que não foi nada demais, uma noite e nada mais, que vinha de um namoro longo em SP, ainda estava meio envenenado pela história. Mas não adiantou muito não. Talvez ela não quisesse acreditar que foi tão simples assim pra não comprometer seu desejo latente por cafajestes. Se eu continuasse atenuando os fatos, por mais que ela soubesse que seria o correto, dentro das normas de uma moça de família, não soaria bem aos ouvidos imaginar que o chupão foi um mero acidente, sem grandes aventuras. 

A conversa rendeu boas risadas e por um instante achei que estivesse realmente demorando pra beijá-la. Ela começou a olhar na direção da casa, lembrando dos amigos na varanda, e isto com certeza era indício de um desinteresse crescente, caso não houvesse ação. E um cara com eu, medalhão de chupão, desbravador dos sete mares, não poderia fazer feio num momento daqueles. Pedi um gole da cerveja, o restinho quente, pra tirar um pouco do sal da boca. Enquanto ela falava sem parar, apoiei a latinha perto do fogo, limpei as mãos na bermuda molhada, e engatinhei um andar silencioso, quase imperceptível, até que consegui sentir o calor do corpo dela, seu cheiro, a respiração. A brisa, por um momento mudou de direção e trouxe o perfume da dama da noite, doce, muito gostoso. Então encontrei nos dedos a ponta do seu cabelo, na altura das costas, e coloquei a mão rente a camisa, e vim subindo, subindo, como um detector de metais, pelo calor, infravermelho, até o pescoço. Quando toquei sua nuca delicadamente, ela fechou os olhos e enclinou a cabeça 20º pra trás, como se quisesse o mesmo carinho pelo corpo todo. Da nuca subi pro cabelo já com a boca no seu ouvido, a proximidade dos corpos fazia resistência ao vento e produzia um leve assobio, conseguia ouvir o som da casa, algumas risadas, o mar, mas preferi abraçá-la com mais força pra que sua respiração fosse única, sem se confundir com outros ruídos que não me interessavam. Ela, o beijo, o mar. 

Meus lábios tocaram os seus, e ela tinha um cheiro de cerveja, cevada com damasco, gostoso, fresco, e sua boca, pequenina, cabia na minha, inteira, e nos beijamos, cada vez com mais fome, as mãos correndo até onde alcançavam, as pernas trançadas jogavam areia, o fogo se apagou e o escuro fez com que entendessemos que era hora de deitar ali mesmo, todos os sons se foram, o frio passou, e nada do que eu fazia no momento era artificial ou programado, eu realmente estava de olhos fechados, entregue, e de todas as mulheres que tinha beijado, ela era definitiva, inesperada, transformadora. 

Levantei sua blusa e chupei um peitinho lindo, depois desci a mão até encontrar um serrilhado de pêlos crespos, bem aparados, e então meus dedos tocaram onde não poderiam ter chegado. Quando encontrei uma umidade quente, que meus dedos deslizaram pra qualquer direção, algum instinto me atravessou de macaco, enlouqueci, e ai entrei naquele estado perigoso, aquele que eu disse que se entrasse acabaria dando besteira.

Tirei sua saia e minha bermuda, olhei um pouco no entorno, fração de lucidez, e então fui pra conseguir o que queria de qualquer maneira. Ela gemia e me empurrava com as pernas, parecia querer dizer algo e não conseguia, até que entre o estouro de uma onda e outra, pude ouvi-a falar – Não, sem…não…por favor não…

Eu estava completamente louco e fazia uma força fora do normal pra que ela cedesse. Chegava a esfregar a cabeça do pau no molhado, mas ela usava as pernas e me tirava da mira – Não, camisinha, não, não quero sem…

Quando vi que não teria outro jeito, olhei no fundo dos seus olhos e vi um desejo legítimo, mas responsável. Ela queria muito, muito transar comigo, e era muito legal, não ia fazer besteira. E naquele momento nem eu queria, baixou uma espécie de respeito visceral, de não conseguir fazer mal algum, e não daria sorte ao azar de forçar a barra e passar alguma coisa pra ela. 

Coloquei a bermuda e pedi alguns segundos. Sai correndo pela praia, atravessei a trilha, as amendoeiras, e todo sujo de areia apareci na casa. As pessoas perguntavam de Marina, onde estávamos e eu revirando meu carro não dei atenção nenhuma, abri porta luvas, carteira e peguei as duas camisinhas que tinha. Voltei pelo mesmo caminho, já abrindo a bermuda, o pau como uma bússula indicando a direção certa, e ela lá, minha Marina, esperando.

Coloquei a camisinha com cuidado, evitando a areia, forramos com uma canga e percebi que ela estava rindo, rindo de felicidade, vontade, a eminência de acontecer no lugar que ela queria, com quem escolheu. Deitamos comigo em cima e sem perder tempo, mergulhei num outro mar, muito melhor do que aquele ali atrás, um mar paradisíaco, do Caribe, cheio de corais coloridos, me sentia como uma água viva noturna que brilha no escuro em luzes pulsantes, pela coluna cervical, as pernas, a boca, até que saraivadas de um prazer lança perfume me fizeram gozar profundamente, e muito lentamente me refazer, sem perceber que éramos dois, mas um só.

2 comentários:

Anónimo disse...

li o texto, é bom, me lembra um pouco aquele do cf que te mandei. encontri um erro: quisito é com e = quesito.
quanto ao conteúdo é bacana, resvala no machista, mas se resolve com a corrida até o carro para pegar as camisinhas.
e a trilha sonora "i feel like i've been in a coma for 20 years" é bem sexy. de um jeito de incluir no novo livro...

Anónimo disse...

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