quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Bela Pegada

Bela Pegada

Foi na Praia de Toque-Toque. Eu na varanda numa tarde tibia. Casa emprestada de um amigo da mãe dela. Puta vista, lia Delta de Vênus, Anais Nin. Ela tinha ido dar uma banda pela praia. Aquela caminhada de meia hora pra poder caprichar no doce depois do almoço. Eu? Como disse, varanda. Lia sem muita concentração, ora ouvia a cigarra na carnaúba, ora o som do mar ao longe eeeeeeee pousava na página.
A falta de concentração tinha um motivo claro: Tudo que eu queria é que ela voltasse da caminhada o mais rápido possível. Faz sua caminhadinha, encontra a amiga e volta logo. Quero fodê-la.

Meia hora, quarenta minutos e nada. A leitura inquieta, o pau respondendo aos presságios. Nada.

Então ouvi passos. Moça da cidade que pisa folha seca em trilha aberta na mata. Era ela. Passou por mim salgada e suada e eu de óculos escuros fingi da absorção na leitura ao susto com a sua presença., como se ela me despertasse da leitura profunda e prazerosa. Então mirei aquele biquíni azul de miçangas vermelhas, uma virilha raspada, um belo umbigo que passava na direção da cozinha. Não agüentei, joguei o Miller de lado, sem marcar página e a segui.
Ela estava na geladeira pegando queijo branco. Tirou o prato e pôs na bancada que é mesa em casa de praia. Encostei. Pedi um pedaço do queijo. Me deu na boca. Encostei por trás. Peguei numa bunda fresca, dedos de queijo branco. Ela continuou mastigando fingindo de desentendida. Afastei o biquíni de lado. Ela comendo. Procurei com dois dos dedos o sumo. Escorregaram pra dentro. Ao mesmo tempo que os dedos passeavam apertei-lhe ainda mais a bunda e mordi-lhe o pescoço. Paralisada, braço meio aberto com uma fina fatia do queijo na mão, sussurrou ao meu ouvido: Tá querendo me comê é?

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