Estava em plena Rodeo Drive, no Coconut Bar, quando entrou Bruce Wills e sua pussy cat.
Foi aquele alvoroço contido, as pessoas se perguntando se era mesmo ele, e era. Era.
A namorada uma mexicana, Baja Califórnia, quase uma Penelope Cruz,
peito-decote-peitão Oh my God-bocão-olhos negros-cabelo longo-bolsa pequena-anel brilhante.
Naquela situação, preferi pensar que os dois não estavam no bar, ou que fossem uns qualquer.
Pedi mais uma Miller, dei minhas goladas e abstrai. Olhei pro ventilador de teto, pensei em Focault, Zaratrusta,
tenho pedigree, família intelectual, filme cult europeu, mas... Mas...Caralho, como Hollywood vai fundo na gente.
Por mais que eu negasse a importância de um canastrão blockbuster, quando eu olhava pro Bruce,
um endeusamento me domava e...Eu eu eu, filho de comuna, hippie, salada de bardana...queria ser Bruce Wills.
Aquela cara, aquela grana, de se perder sem saber direito quem você é. Sem função egóica.
Claro, deve ser do caralho comer aquela garçonete mexicana numa jacuzzi em Santa Mônica, na mansão que você comprou falando 550 fucks por minutos no Duro de Matar 3, perseguindo um latino de regata manchada de sangue nas ruas de Detroit, e depois pedir o extrato do Bank Boston e estar lá, mais 20 milhas na conta. E de frente pro mar, de repente você se olha no espelho e vê Bruce Wills, e aí você cai na real, sou aquele dos filmes, o durão, o fodão, e aí você contrai o abdomen, faz as caras dos filmes e entra numa egotrip violentíssima, sem volta, demônio ralado, de se levar ao Olimpo e chutar Zeus de Mykonos, e aquela mulher ali embaixo, gemendo, louca, diz que só pode estar sonhando, que não é possível ela estar dando para Bruce, Bruce Wills. Mete, mete, goza dentro Bruce, pleeeease.
E esta era a cara dele no bar. Faz tempo que ele se acostumou com a idéia de ser Bruce.
E se antes eu blefava que nada acontecia, agora os olhava pelo reflexo do espelho, sem parar. Espelho no espelho, ângulo, luz, brilho do sol, e lá estava a mexicana de perfil, boca carnuda, frases perdidas no som do bar, tentava ler seus lábios.
Ele pediu água mineral com gás, ela um suco de abacaxi com morango. Os dois não pareciam muito íntimos, coisa de pele, foda memorável, nada disso. Bruce continua no filme e atua, dentro e fora dele.
Mas a água mineral faz Bruce levantar pro banheiro. Estou no balcão na quarta miller, no caminho dos restrooms, e Bruce passa me encarando, olha meu anel de tucum dos índios, a pele árabe, a camisa descolada, e baixa uma incógnita na cabeça de Bruce. Slowmotion da cena: A mexicana beberica seu suco abacaxi, Bruce passa, ventilador gira, reflexos de Bruce nos espelhos do bar, neon da geladeira, e Bruce não me entende, sente o perigo por perto, ainda que ele 20 milhas no banco no último mës e eu 2 mil doláres raspando cascos na marina Blue Fish em Miami.
Me vejo sozinho com a morena mexican. Ela de canudinho pesca os pedaços de abacaxi no fundo do copo, os espelhos confundem olhares, até que ângulo tal nosso olhares se cruzam. Ventilador.
Viro minha Miller, e abro um dos botões da camisa florida. Ela fecha as pernas, tesão.
Sente que eu posso lhe dar o que Bruce não pode. Ele demora no banheiro, diriam os índios, deve estar de piriri.
O garçom está longe e ela sede por suco levanta direção balcão.
Ao meu lado, aquela Mônica Belucci habla inglês com gracias e pede morango e um pouco de absolut.
Espelho do bar rebatido na pilastra me dá seu frontal. Decote, brilho do anel.
Mas ela entende o jogo e me acha nos espelhos. Tento outro e mais outro, outro, ela acompanha, cruza as pernas, lambe os lábios, pisca. A pele do pescoço, na altura da traquéia, entra. As narinas dilatam.
Fim dos espelhos, olhos se cruzam, pupilam escaneiam. Ela me vê Andy Warhol, colores e contraste pele, polaroid brasileiro,
suor, foda boa. Eu a vejo Rodin, curvas, mão carne, respiração, canga, cancun, flores. frutas, fonte, cabelo nuca, esculpo quadril, lençol egípcio.
Slowmotion seus olhos piscam, boca abre.
Cadê Bruce? Não importa. Força Bruce.
Chave e carteira de Bruce no bolso, queimo chão no corvette dele, North East Concorde Ave.
Nas curvas o fresco do mar. A encosta, as mansões. Me olho no retrovisor, o asfalto, listas, 90 milhas, tudo pra trás.
Mexicana sobe um pouco a saia, acelero, sobe mais, canto o pneu e reduzo pra quarta. Motor ronca, escapamento cospe água com etanol.
Ela agora acaricia minha nuca, abre minha blusa e alisa meu peito peludo. As narinas dilatam, as pernas se afastam, a costela na respiração deixa o quadril ainda mais gostoso. Aumento o som e amarro uma fitinha do bonfim do retrovisor, acelero. Páro no sinal e olho pro carro do lado. Não acredito, Brad Pitt com uma puta chupando outra no banco de trás. Ele acena e diz:
"Lets go to my house, Angelina went to Africa to see poor people fighting for a bread"
"All right"
"Who is that girl?" - ele pergunta
"is Bruce wills's pussy"
"So nice, lets go"
O farol abre, Brad acelera. A morena massageia calça jeans e mexe o quadril no banco de couro.
Um caminhão a frente, as putas se comem no carro de Brad. Ele tenta ultrapassar, mas esbarra na sua dialética nórdica,
muito atrás das sinapses brasileñas, e eu o ultrapasso pelo acostamento da contramão, quase no despenhadeiro, pedras rolam pro mar.
A morena eulouquece, olha pra trás vê Brad perplexo, eu no volante, quarta, quinta, mão na coxa dela. Gps ligado, esqueço de Brad, jogo uma jaca na estrada que pega no retrovisor dele, que capota e cai no barranco. A morena geme e me morde o pescoço. GPS, bip bip bip me indica Big Sur, 20 milhas. É pra lá.
Digo:
"Senhorita, ssssssss vaamos a laaaa casssaaaaa de un amigouuuussh" ( o vento distorce as palavras)
"Si, com mucho gusto"
A fitinha do Bonfim balança.
Aumento o som, abro uma manga e chupo, peço pra ela segurar o volante, lambuzo ela de manga, peito, boca, seguro o
volante com o joelho e lambo peitão esquerdo Oh my God, ela olho fecha e segura no puta que eu pariu. Ahhhhhhhhhh pernas bambas guaca mole.
Entro na estrada de terra, palmeiras, cascalho, cascavéis, abro o porta luvas. Sinto sede. Encontro coisas de Bruce: Um Rolex - jogo na estrada - uma pistola .45 automática - fora - um gel de cabelo - pra que? Fora - um arranca pelo nariz - guardo.
Estaciono numa casa, vista pro mar, névoa, fim de tarde. O motor do carro estala com o calor, gaivotas embalam na corrente de ar. Toca o cel da morena. Pisca Honey Bruce Bruce Honey - saiu do banheiro. Ela me pergunta se devo atender. Abro a braguilha, ela joga o celular no mar.
Ah Bruce, Zed is dead baby, Zed is dead...


1 comentário:
"you don't have to be rich to be my ...I just want your extra time and your kiss"Prince.
Que Bruce, que nada.O que ela quer é moreno cacau made in Bahia,da boca carnuda que pede beijo,dono de
mãos hábeis e palavras macias.Cara de terrorista franco-árabe,corpo de garoto de praia ,ciclista.O mais lindo perfil na penumbra.Alma leve,jeito de menino.Forte ,alto, barbudo e peludo.hummmmmmmmm...delícia...o resto é o resto.Propaganda de cigarro enganosa daquilo que traz felicidade.Num precisa mais do que isso.
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