sábado, 13 de outubro de 2007

Coisas que pensei passei


Depois de três filmes consecutivos - 007 Cassino Royale, missão impossível 3 e Sob o sol da toscana - resolvi pegar a moto e dar uma volta. Uma ventania joga as palmeiras de um lado pro outro, sigo na direção da lagoa, estou em Florianópolis.
A moto rende nas ultrapassagens, me sinto o Daniel Graig, o novo James Bond, a cada ultrapassagem me vem a música do bond em mente, e vou ultrapassando. Nuvens carregadas, a areia das dunas se arremete contra minhas pernas, olho pro céu, vejo que mais ao norte existe um clarão, é pra lá que vou, onde bate o sol. Rodo mais uns 20 km ao norte até que finalmente os primeiros raios me cegam ao bater nos espelhos da moto. O vento aumenta, me pega de lado, quase derruba, entro por uma estrada de barro, direção mar. Avanço alguns metros até que vejo o Atlântico. Estaciono, sento numa das dunas, tiro o tênis, a camisa, a bermuda, praia deserta, pelado, aos trinta anos já não se tem vergonha de nada, se tiver algum mané olhando que olhe. Aproveito pra dar uma olhada no corpo, o que já começa a cair, vejo a musculatura forte da barriga, apesar da camada de chopes e pastéis, vejo as pernas peludas, o pau, o sol, o mar, onde estou, os anos que passaram, o que eu to fazendo aqui, o que faço em SP, o que vai ser de mim, tudo em questão de minutos, o mar toca meus pés, agua fria aqui do sul, quero limpeza, avanço, água na cintura, o mergulho, a cabeça, o silêncio, de volta o vento, a diluição das angústias, posso tomar banho de mar, que venham os problemas, a moto longe, o sol se pondo, o vento, o zunido no ouvido molhado, a boca aberta, a mexida no pau, a saudade do molhado, os amigos, quanto tempo vou durar, que tal uma taça de vinho, xoxota, saio da água. Preciso escrever, preciso sair dessa inércia, me aprofundar de verdade nessa porra, fazer bonito, tornar as outras coisas menores, o tempo passa, não posso enrolar...mas já me disse isso e continuo enrolando...digo de novo, não posso esperar, winner, loser, quero uma rede, um mar, a namorada, uma fogueira, não preciso de muito. As gaivotas me cercam, cantam, acompanham o vento, vôo parado, a moto se aproxima, cada vez mais perto, hora de voltar, meu pai me espera, sem saber ao certo o que passou comigo neste passeio, as coisas que pensei, que passei, motor da moto, o vento, volto pra casa.

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